08 julho 2008

William Shakespeare













Se nada há de novo e tudo quanto existe
já antes existiu, como erra o pensamento
que em inventar porfia e que iludido insiste
em dar ao já nascido segundo nascimento!
Mostrasse-me a memória, olhando para trás
do sol dos quinhentos cursos, a tua imagem dita
nalgum livro em cujas folhas ´stás
desde que a mente humana se fez palavra escrita,
para eu saber então o que os do antigo mundo
da forma milagrosa do teu vulto diziam,
se o nosso bem, se o deles, qual foi o mais fecundo,
ou se as revoluções do tempo não variam.
       E certo estou que deram engenhos do passado
       a muito pior´s temas louvor mais admirado.


em Sonetos de Shakespeare
Tradução de Vasco Graça Moura.        

1 comentário:

Luís Graça disse...

Salvas as devidas diferenças, não há aqui traços comuns com o nosso Camões?
Realce-se a qualidade da tradução de Vasco Graça Moura, porque encontrar o ritmo e a forma, sem prejudicar o sentido, em Shakespeare, não é para qualquer um.